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The Last Showgirl: Pamela Anderson incendeia enquanto sua personagem se apaga

A atriz Pamela Anderson (58) sempre foi sinônimo de sex symbol internacional, em grande parte graças ao papel da salva-vidas na série SOS Malibu (Baywatch,EUA). Anderson construiu uma carreira marcada por aparições glamourosas e pelo universo pop dos anos 90, mas no fim do ano passado e início deste ano ela ressurgiu nos holofotes por uma virada inesperada, e brilhante, na interpretação de Shelly, personagem de The Last Showgirl (2024), filme dirigido por Gia Coppola. Pela atuação, ela foi indicada ao Globo de Ouro e ao SAG Award como melhor atriz em filme dramático.

Na trama, após 37 anos de carreira (ou, como o filme apresenta, três décadas de glamour), Shelly Gardner, vivida por Anderson, é uma dançarina experiente que se depara com o fechamento da casa de espetáculos “The Razzle Dazzle”, prevista para encerrar em duas semanas. Aos 57 anos, a protagonista precisa encerrar abruptamente sua carreira, enfrentar o futuro incerto e buscar uma nova jornada. É esse futuro indefinido que impulsiona o dilema central do drama.
Ela está cercada por um elenco de apoio muito bem escalado: ao seu lado estão Annette, garçonete e ex-dançarina, interpretada por Jamie Lee Curtis; Eddie, o produtor do show, vivido por Dave Bautista; e as jovens dançarinas Jodie (Kiernan Shipka), Mary-Anne (Brenda Song) e Hannah (Billie Lourd), filha negligenciada de Shelley.

Da esquerda para a direita: Billie Lourd (Hannah), Pamela Anderson (Shelly), Brenda Song (Mary-Anne), Jamie Lee Curtis (Annette) e Kiernan Shipka (Jodie)

A cena de abertura já lança o dilema com clareza: Shelly passa por um teste para atuar em uma nova casa de show, mas após tanto tempo longe da “nova competição” do mercado, acostumada a brilhar somente no Razzle Dazzle, ela se vê deslocada, desconectada daquilo que o showbiz exige hoje. Essa sensação de descompasso é o fio condutor da narrativa.

Além de nos colocar nos bastidores do espetáculo que Shelly protagoniza, o filme nos revela a fragilidade de uma personagem que encontrou no palco a armadura para suportar a vida apagada lá fora. Para manter o sucesso, ela abdica da criação da filha Hannah, que agora, na fase adulta, cobra da mãe as lacunas deixadas no passado.
Aqui surge uma segunda camada interessante: Pamela Anderson interpreta uma mulher madura que está vendo sua luz se apagar, lidando com o etarismo e fugindo da obrigação de ser figura materna, ainda que as jovens dançarinas a vejam como uma mãe, papel que ela resiste.

Pamela Anderson interpreta Shelly Gardner no longa The Last Showgirl (2024)

Veredito
O filme é uma proposta interessante de assistir: calmo, leva o seu tempo e não perde segundos com divagações inúteis. Tudo é apresentado de modo a construir o mosaico que é a personagem de Anderson. Ela sofre, sabe quando brilhar e encara com frieza aquilo que precisa evitar, mas essa frieza revela o escudo de uma grande fragilidade interna.

Com o fim do Razzle Dazzle, o que será da vida de Shelly? Seus colegas de trabalho, que estão além da linha do palco, são a família que ela construiu ao longo do tempo. Por ser um filme fortemente centrado na personagem, a história não apresenta um grande núcleo paralelo: não há “grande” antagonista, todas as tensões são causadas e resolvidas pela própria protagonista.

Shelly (Pamela Anderson) tem que lidar com o dilema de ser uma dançarina aos 57 anos de idade em um mercado que prioriza a beleza da juventude

Minha nota: 7/10 para The Last Showgirl. O filme está disponível no serviço de streaming HBO Max. Quando assisti a lista de indicados nas premiações eu fiquei pendente de assistir esse, mas agora consegui concluir essa lacuna.

Assista abaixo o vídeo da minha análise sobre o filme The Last Showgirl

Jornalista, Produtor de TV, Relações Públicas, Especialista em Produção de Eventos, Escritor

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